me levantei mecanicamente e fui até a porta, parece que meu cérebro já estava treinado pra isso, vesti minhas roupas de frio em fração de segundos (que louco!) coloquei os chinelos pensando que se realmente fosse um terremoto eu estaria com os pés gelados até a reconstrução de tudo, até voltar para o Brasil ou até me tranquilizar ao lado de alguém que eu amo. Juntei meu computador, o carregador do celular, o fones de ouvido - meu deus, como sou materialista!
Eres un tiemblor - me dizia Jimena já no meio do corredor, vem Pétala, não está forte, já vai passar mas por seguridad temos que descer do prédio. As janelas já não tremiam, nem as portas. Ufa! Acho que já passou.
Mas aqui me pergunto o quanto da vida é efêmero, me parece que tudo, somos meros serzinhos que precisam de ar para sobreviver, dependemos da natureza para exatamente tudo e nunca estamos satisfeitos. Pensamos que somos racionais, mas o que significa ser racional no meio de uma catástrofe natural? O que significa raciocinar quando não temos controle de nada? Me paraliso por doze minutos, depois que todos já subiram a suas casas e já estão continuando suas vidas, já estão de volta a suas rotinas. Não sou a mesma depois de sentir a terra tremendo bem abaixo dos meus pés e imaginar o universo que vive ali, bem abaixo de mim, essa poderosa vida, energia ou o que seja.
Piso, respiro, vejo, sinto algo que pulsa e é completamente alheio a tudo que vivi até esses 12 minutos que passaram, foi um cagaço pela vulnerabilidade explicita da vida esfregada na minha cara, foi a chance de transcender um pouco e enxergar além do mar.
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