14.10.15

deita em minha cama
minha musa momentânea
a rainha que eu quero coroar
talvez por uma só noite
[e nunca mais]

mas venha
salve a selva
salve a selvagem
a seiva e a saliva

não se acanhe,
e nem se avexe,
não tenha alma pequena
entenda do que é feita a fibra de meu fêmur
e faça questão de demorar com sua língua
e lamba
lamba minhas cicatrizes
como se fossem selos
cartas distantes,
cartas distintas
me sele
me monte
percorra meu monte de...
vênus;
a minha é em leão
(contém traços de tesão)

monte
de
buracos

entenda todos,
não são apenas três os destinados ao sexo

ai
se você falasse francês
sussurrado ao pé de ouvido
que entra como estrondo
causa estrago
é maremoto,
é terremoto,
faz aquela delicada embriaguez do corpo
mora em mim
pra eu te ver perto assim
[das cicatrizes
dos cortes
das conjunturas]

te conto histórias gostosas de cada tombo dessa vida
meio mole, nada fácil
conto quantos trovões eu já ouvi e fizeram tremer meu corpo
ou quantos foram os gemidos todos
já tive sim tremiliques tortos
as batidas do coração
ou qual é o caminho do sopro
que percorre o pulmão
Os demônios e a eterna tentação

e das águas que passei
os mares que me banhei
as sereias que frequentei
as sereias que me frequentaram
quem foi que me molhou
quem foi que me deixou molhada
sem purismo? que nada...
o mar é grande
a sorte, ingrata

como fruta na feira, aqui passou a mão
tem que comer

porque
a pele em brasa
O desejo
A febre
- Não era desengano da mirada

não me deixe pros passarinhos, não me deixe criar mofo
eu não sou encosto
e não me estrague, me trague
não me negue: se entregue

Por último
 não olhe nos olhos
da medusa
caso não queira virar pedra
mas fale com ela

Gabriela Pozzoli

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