19.5.23

uma fila de adolescentes se aglomera em frente a uma casa de show. penso por segundos na mãe que ali espera ao lado da filha. são as primeiras da fila. a mãe, aparentemente idosa, luta contra o vento que faz, apesar do sol tímido que resolveu aparecer. penso que talvez ela não viva muito. depois logo em seguida vem uma memória antiga. estranho isso que o cérebro faz. tudo fica no corpo. uma amiga, da minha idade, que tinha uma mãe idosa. não é que a mulher durou? contrariando as estatísticas vazias da minha mente. o carro segue, to indo pra uma gravação, vejo na mesma calçada uma babá vestida de branco, coisa que me questiono toda vez que vejo, cantando em direção ao carrinho de bebê que ela carrega. isso me anima, a possibilidade de mil histórias vivendo paralelamente. me sinto confortável em conseguir viver.

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