Eu me identifico muito mais com um olhar próximo ao de Agnès Varda. Meu trabalho nasce do processo e da relação. Eu converso com as pessoas, muitas vezes apareço em cena, assumo a subjetividade e mostro o próprio caminho da construção das imagens.
Não me vejo como uma fotógrafa que está fora da cena esperando o mundo se organizar para capturar o momento perfeito. Eu não caço imagens. Prefiro habitar o cotidiano e o encontro.
O que me interessa não é necessariamente o instante decisivo, como pensava Henri Cartier-Bresson, mas a possibilidade de construir uma relação com o mundo e com as pessoas que encontro. As imagens surgem desse convívio, dessa escuta e dessa presença compartilhada.
Para mim, fotografar é menos sobre capturar um momento ideal e mais sobre abrir um espaço onde algo possa acontecer.

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